14.7.09
Células Tronco
PARALISIASCEREBRAIS&CÉLULASTRONCO&BIOÉTICA
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Tratamento polêmico melhora vida de Clara Primeira brasileira a
usar células-tronco para melhorar da paralisia cerebral começa a
dar sinais de avanço depois de tratamento iniciado na China custeado
graças a uma campanha pela internet
Mirella Marques
mirellamarques.pe@diariosassociados.com.br
Comer, sentar, ensaiar os primeiros passos e palavras. Atividades
“normais” aos filhos, poderiam pensar os pais de crianças com até
um ano de idade. Para os pais de Clarinha, no entanto, encher o
pratinho da filha com feijão e arroz é um sinal de vitória. Assim
como a possibilidade de deixá-la numa cadeira adaptada ou poder
carregá-la no braço sem que o pescoço da pequena se curve com o
peso da cabeça. Poder segurá-la pelos braços e sentir que os pés
já arriscam passadas firmes é uma alegria imensa para o casal. A
menina em questão é a 1ª brasileira a utilizar células-tronco
para melhorar da paralisia cerebral, causada por falta de
oxigenação durante o parto. O tratamento, feito na China, ainda é
polêmico no paÃs. Questionam-se os benefÃcios e, principalmente,
os métodos de retirada dessas células (que podem ser pegas do
cordão umbilical ou de fetos abortados). Os médicos de Clarinha
decidiram pela primeira opção. Mas, se depender dos resultados
obtidos pela pernambucana, não restam dúvidas de que a inovação
médica tem o poder de renovar esperanças. Com um ano e nove meses,
Clara renasceu.
A viagem
Clarinha foi à China com seus pais, Carlos Edmar e Aline Pereira,
após uma campanha que durou seis meses e arrecadou U$ 40 mil.
Dinheiro suficiente para bancar os custos com o tratamento e a viagem
ao outro lado do planeta. Através do site
www.umrealporumsonho.com.br, o pai conseguiu mobilizar amigos e
desconhecidos. Entre eles, jogadores de futebol do Náutico e do
Santa Cruz, que fizeram uma partida beneficente em prol da menina. A
luta incansável de Edmar para garantir uma vida “normal” à filha
única foi capa do Diario, em 20 de setembro do ano passado. Pai,
mãe e filha chegaram à cidade de Cantão, no Sul da China, em 11 de
abril. Ficaram por lá até 12 de maio. Chegaram ao Recife no final do
mesmo mês.
O tratamento
A pernambucana passou por seis aplicações de células-tronco. Duas
de forma intravenosa (através de soro) e quatro por injeções na
coluna vertebral. Nos casos de paralisia cerebral, como o dela, a
indicação é de quatro a oito aplicações, no máximo. Segundo os
médicos, o tempo em que as células injetadas chegam ao cérebro
para se transformarem em neurônios pode variar de três a seis
meses. As melhoras fÃsicas da menina, no entanto, começaram a ser
percebidas a partir da segunda aplicação. Não há como prever até
que ponto se dará a evolução.
Cardápio
Ainda na China, ela começou a substituir as refeições pastosas,
batidas em uma espécie de liquidificador portátil trazido pelos
pais do Brasil, por alimentos sólidos. Prova de que os músculos já
permitiam a deglutição. Muitos portadores de paralisia se alimentam
com comida pastosa por toda a vida. A vitória foi comemorada pelos
pais e pelas enfermeiras chinesas. Durante o tempo em que ficou no
hospital, a pequena tornou-se “xodó” da equipe médica. Para mimar
Clarinha, elas traziam arroz e outras comidas tÃpicas asiáticas.
Mas os pratos preferidos da menina são batata frita, hambúrguer e
macarrão à bolonhesa. Sem falar no feijão com arroz, especialidade
da mãe. Ela já engordou um quilo. Além das mudanças na
alimentação, ela também mudou a dicção. Antes falava apenas
vogais. Hoje não para de gritar sÃlabas como “pá” e “abu”.
Brincadeira do “toca aqui”
Apesar da paralisia cerebral, Clara tem a inteligência intacta. Seu
comprometimento atinge só a área motora. O controle dos músculos é
interrompido por movimentos involuntários. A postura, por sua vez,
também é prejudicada. Foi durante uma corriqueira brincadeira
familiar, já no Brasil, que os pais perceberam a evolução da
filha. “Sempre dizia a ela, ‘toca aqui, filha’. Para fazer isso,
Clarinha mexia todo o corpo e gastava muita energia”, explicou Carlos
Edmar. Antes da entrevista, é a própria menina quem mostra o quanto
mudou. Cumprimenta repórter e fotógrafa com um suave toque de mão.
Há nove meses e com um ano de idade, ela tinha coordenação motora
de um bebê de apenas três meses. Depois do tratamento na China, a
coluna da menina também ficou mais ereta.Pela primeira vez na vida
Clara consegue sentar.
O renascimento
Aliada às aplicações de células-tronco, os pais também testaram
uma nova fisioterapia, chamada medek. As sessões ocorreram numa
clÃnica em São Paulo. Os exercÃcios dão ênfase à independência
da criança. O método ainda não chegou ao estado. E os pais planejam
voltar à capital paulista para um novo perÃodo de fisioterapia. Há
duas semanas, Clarinha ensaiou seus primeiros passinhos. Amparada
pelo pai, pôs pé ante pé na sala de casa, um apartamento
localizado no bairro da Estância, no Recife. “Se fosse preciso,
faria tudo de novo. Campanha, viagem. É impressionante o quanto ela
melhorou. Não sei se Clara vai conseguir andar, mas quero que minha
filha tenha a vida mais normal possÃvel”, desabafou o pai. Os
pequenos passos rumo ao futuro causam emoções sem palavras.
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/07/05/urbana8_0.asp [1]
criado por prisciladasilvadutra
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